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(IstoÉ Gente)Já sentiu pessoas olhando feio para você na rua
por causa do seu estilo?
(Pitty)O Brasil é um país hipócrita,
porque permite um monte de coisas e finge que não permite outras por falso
moralismo. Em certos lugares, algumas pessoas ainda ficam assustadas
(comigo), mas em São Paulo, onde moro, acontece muito menos, porque já
há uma cultura de existirem pessoas muito diferentes. Agora, lá em Salvador eu
era um alien – principalmente por causa do clima, você usa menos roupa
porque faz muito calor, então está tudo mais exposto, as tatuagens e tal. Já
sentou velhinha do meu lado no ônibus, me olhou inteira e deu um folheto de
“Jesus te ama”. Quem vê tatoo não vê coração (risos).
(IstoÉ Gente) Incomoda-se com o título de “musa do
rock”?
(Pitty) Não chega a ser um incômodo. Só não gosto que o foco
fique distorcido. É bacana, agradável, mas não incrível. Minha vaidade caminha
por outros lados.
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(IstoÉ Gente) Você é vaidosa? Perde horas se arrumando para ir
a uma festa?
(Pitty) Depende muito do meu astral. Tem dia que dou uma
de menininha e tal. Brinco dizendo que eu aprendi a ser gay. Sempre fui
muito moleque: tênis All Star, calça, camiseta e f... Maquiagem nem pensar,
unha, p. nenhuma. Fui ficando mais velha e comecei a me interessar por umas
coisas de menina que não me interessavam antes. Estou aprendendo a ter esse
lado. Mas também não é algo que me ocupe tanto.
(IstoÉ Gente) Tem dias de patricinha? De sair às compras, ir ao
shopping... (Pitty) De compras nem f., alguém precisa me arrastar. Só
compro o que preciso e ainda assim compro com pena. Sou bastante econômica.
(IstoÉ Gente) É pão-duro? (Pitty) Não me considero.
Pão-duro é avarento. Não chego a ser avarenta, sou generosa com as pessoas que
precisam, não tenho pena de gastar dinheiro com o que acho necessário, só não
gasto com supérfluo. E para mim coisas materiais geralmente são supérfluas. Não
hesito em gastar com uma boa viagem, porque sei que vai me proporcionar cultura,
conhecimento, sensação. Mas não tenho coragem de gastar grana com um vestido, um
sapato.
(IstoÉ Gente) Tem um limite? Um vestido de R$ 500, por
exemplo. (Pitty) É um absurdo porque eu sempre comparo com o salário
mínimo – não sei porque ainda faço isso. Na hora na minha cabeça a associação é
“não, como assim, o salário mínimo é um terço disso, não pode” (risos).
Mesmo que tenha para gastar, acho um abuso com o resto do mundo.
(IstoÉ Gente) Dava dor de cabeça para sua mãe na
adolescência? (Pitty) Muito, coitada da minha mãe. Hoje eu venero
ela. Deve ter sido difícil lidar com uma adolescente que sabia muito o que
queria, mesmo que parecesse completamente absurdo. O fato de eu não ouvir os
conselhos, ou de olhar para ela naquele momento e dizer “o que é isso, coroa,
você não sabe p. nenhuma, eu que sei”. Para ela deve ter sido muito
decepcionante, muito angustiante lidar com isso. Ela achava que eu devia
estudar, fazer faculdade – e, quando eu fui fazer faculdade, fiz música.
Aparecia todo dia com uma tattoo diferente e ela “ai, meu Deus, você não vai
arrumar emprego em lugar nenhum”. Fui meio camicase, podia ter realmente
quebrado a cara do jeito que ela imaginava.
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